Património da Humanidade

Powered by
JiTT.travel

Sintra

Sintra é um lugar de fascínio e sortilégio. Aí está a flora da Ásia, trazida, em parte, por D. João de Castro, que contribuiu para começar a transformar a Serra num verdadeiro Éden, cantado pelos românticos, deixando desenvolverem-se em liberdade as espécies exóticas a partir da Quinta da Penha Verde... E D. Fernando II completaria, no século XIX, essa extraordinária ação de povoamento natural. E temos o romantismo de Sintra – onde «o Inverno costuma passar o Verão», no dizer irónico de D. Carlos de Bragança, ponto magnético de atração misteriosa e mágica de grandes personagens (Hans Christian Andersen, Lorde Byron, William Beckford) – desde a meditação do convento dos Capuchos à exuberância da Pena, sem esquecer o intimismo de Monserrate. Sintra é o paradigma romântico de um cenário quimérico – Byron e o Paraíso glorioso. Ninguém fica indiferente. É a «amena estância» de Garrett, o «ninho de amores», onde «sob românticas ramagens as fidalgas abandonavam-se nos braços dos poetas», na expressão de Eça de Queiroz.

Porto

O Porto contemporâneo é o resultado de uma História secular, intensa e multifacetada, expressa num património cultural rico, ativo e diversificado, onde todas as categorias e épocas estão representadas. Lado a lado com um notável património histórico, artístico, arquitetónico e urbano, manifesta-se a criação contemporânea, relevante nos mais diversos campos, dos museus ao teatro, passando por festivais e festas tradicionais. A cidade é o conjunto harmonioso de tudo isto: herança histórica, vivências e novas práticas culturais. O Porto, conhecido pelo seu caráter dinâmico, conjuga, de forma criativa, a tradição com a inovação. Com uma população de 216.000 moradores, é, também, centro da área metropolitana com 1.570.000 habitantes. Reconhecendo a qualidade e o valor de um património cultural excecional, em 1996 a UNESCO aprovou a candidatura do Centro Histórico do Porto a Património da Humanidade. A área classificada é de cerca de 90 ha, correspondendo, aproximadamente, ao espaço delimitado pela muralha medieval do século XIV, onde se integram as principais freguesias do Centro Histórico. Inclui, ainda, a Ponte D. Luís e o Mosteiro da Serra do Pilar, integrados no concelho de Vila Nova de Gaia.

Lisboa

Depois de se tornar capital política do reino, Lisboa foi-se transformando em cidade marítima por excelência, porta de entrada e de saída para o Atlântico, centro de uma economia-mundo, que se tornou espaço de novos desafios da abertura planetária. A Torre de Belém é a pequena e simbólica guardiã do império mítico, o Mosteiro dos Jerónimos representa os descobrimentos marítimos e o império como utopia e como realidade. Quando lemos «Os Lusíadas» de Luís Camões, percebemos que lhes corresponde a magnífica representação em pedra de Belém, original encontro de elementos que tornam sagrada a invocação da viagem à Índia. E, se lembramos Lisboa, temos de recordar a memória da cidade destruída pelo grande terramoto, renascida das cinzas, novo símbolo de racionalidade e de beleza. E, como nos ensina Eduardo Lourenço, temos de compreender o sentido da história através da leitura crítica dos mitos, de modo a nos libertarmos deles. Que é o destino? Se o império é ambíguo, entre o poder e a força do mito, o destino marca a presença do efémero. Lisboa foi destruída pelo terramoto e depois ressuscitou sob o signo de uma nova era, que Voltaire proclamou. E o fado, de misteriosas origens, canta a lembrança e o desejo da saudade, mas também o drama contraditório da luta contra o mar inconstante, capaz de trazer a glória e a tragédia, a graça e a perda, o amor e a solidão. E as pouco conhecidas colinas de Lisboa (Castelo, S. Vicente, Santana, Santo André, S. Roque, Chagas e Santa Catarina) tornam a cidade uma nova Roma, em que lenda de Rómulo e Remo dá lugar à mitologia heroica de Ulisses a caminho de Ítaca... A cidade mais ocidental do império romano não poderia deixar de invocar a Grécia de Homero – Ulisseia.

Elvas

Visitar Elvas leva-nos à interrogação das raízes, à origem arcaica da civilização mais remota, à articulação continental e atlântica dos megalitos, mas também ao palco de um desfecho imperial e à resistência continental para salvaguardar o sonho atlântico. Elvas significa a resistência de fronteira e a demarcação entre uma afirmação continental e uma nova exigência marítima. Que é o destino? Se o império é ambíguo, entre o poder e a força do mito, o destino marca a presença do efémero. De destino fala Elvas, lugar de fronteira e de persistência. «Somos porque queremos», dirá Herculano, ao fundar a moderna historiografia portuguesa.

Évora

A noção de império é ambígua – é poder, mas também é influência utópica, ponto de encontro de várias línguas e povos. E se vamos a Évora, chegamos à interrogação das raízes, à origem arcaica da civilização mais remota, à articulação continental e atlântica dos megalitos, mas também ao palco de um desfecho imperial e à resistência continental para salvaguardar o sonho atlântico. Évora invoca os momentos cruciais do tempo do império asiático, mas também o renascer perante a união pessoal ibérica, enquanto Elvas significa a resistência de fronteira e a demarcação entre uma afirmação continental e uma nova exigência marítima. Évora é ainda, de certo modo, capital imaginosa, com André de Resende à procura das raízes antigas da Lusitânia, a sombra de Sertório presente e a projeção marítima da vontade.

Os 4 elementos

Estas terras foram eleitas como enclaves onde se perpetuaram comunidades e tradições, transformadas com o passar do tempo, mas suficientemente resistentes para deixar marcas de tradição em coisas aparentemente tão pueris como o desenho dos serrados, as “cortas” das pedreiras ou os pomares, tantas vezes ingratos e injustos na mudança da estação... A serra escalvada guarda ciosamente, também, os seus encantamentos, alguns denunciando uma Natureza trabalhando, lentamente, na transformação da pedra em água, como se de um fenómeno alquímico se tratasse, ocultando-se dos olhos comuns em portentosas grutas. Não seria escasso o assombro com que, no alto da serra dos Candeeiros (curioso nome, que celebra, também, a luz) ou nas cristas da Serra d’ Aire (um nome que faz lembrar o sopro do ar e a tutela dos ventos) os pastores e as pastoras olhavam para o céu setentrional, à procura da estrela que os orientava. A estrela polar — a do pólo, em torno do qual tudo gira...

Caminhos da Fé

A ideia do roteiro liga-se ao desafio da peregrinação e da viagem. E falando-se de peregrinação somos sempre levados à ligação íntima entre o interior e o exterior de qualquer deambular pelos lugares da História. “Os caminhos da Fé” leva-nos dos mitos e lendas à realidade de hoje, das tradições ao conhecimento da moderna historiografia, do sentimento à compreensão de quem somos como país e povo, da arqueologia à criação contemporânea. E assim os modernos roteiros exigem, como aqui se procura, uma leitura e um enquadramento social e territorial, que nos permita um entendimento da cultura, da sociedade, do território e da economia. Trata-se, a um tempo, de não perder o mistério da aventura, completando-o com aquilo que as modernas ciências sociais nos concedem hoje. E se falamos de “roteiros com alma”, deixamos claro que nos inserimos na tradição portuguesa de Raul Proença ou de Jaime Cortesão – para quem os roteiros seriam sempre desafios de conhecimento e de compreensão, de educação e de cultura, de emancipação e de peregrinação, no mais humano e universal dos sentidos.

Guimarães

Guimarães cruza a sua História com a História de Portugal e está diretamente associada à formação da própria identidade nacional. A cidade, com 50.000 residentes, é sede de um concelho densamente povoado, com cerca de 160.000 habitantes. Insere-se numa zona de povoamento antigo e o desenvolvimento da urbe assentou num processo de longa duração, de que resultou o conjunto patrimonial coerente e harmonioso, formado pelo centro histórico. Com uma posição estratégica no sistema viário antigo e atual, ponto de passagem e de paragem, criou uma cultura urbana singular, onde convivem e interagem a tradição e a inovação, o erudito e o popular. O enquadramento territorial e o contexto histórico da reconquista cristã no século X, marcaram-lhe a origem, deram-lhe centralidade política e administrativa e geraram as condições de urbanidade.

A Demanda do Graal

Cada território está indelevelmente associado ao legado cultural gravado por cada geração. O seu património ilustra as transformações sociais, espirituais e culturais ocorridas no decorrer dos tempos, conferindo-lhe características únicas que contribuem para a diversidade de cada região e, consequentemente, para a sua atração turística. Neste roteiro encontramo-nos em terras do Santo Graal, se assim as pretendermos ver. Porque podemos, de facto, transpor a geografia intemporal da demanda do Graal — que é também a demanda de um centro espiritual — para as terras de Tomar, de Alcobaça e da Batalha.

O tesouro dos Templários

O tesouro dos Templários” levam-nos dos mitos e lendas à realidade de hoje, das tradições ao conhecimento da moderna historiografia, do sentimento à compreensão de quem somos como país e povo, da arqueologia à criação contemporânea. Este “tesouro” deve ser entendido como um símbolo e não como uma “coisa” material. O roteiro a ele dedicado dá a conhecer os mais importantes monumentos templários, os seus segredos e mistérios, a sua riqueza artística, mas também convida a uma visita a lugares recônditos, ainda por descobrir. Poderão ser, e serão decerto, algumas vezes, meros lugares até agora quase anónimos, sem nenhum outro atrativo senão o de avivarem memórias sobre os monges-guerreiros. Mas, mesmo assim, estes locais constituem um ponto de passagem, uma referência territorial que dá a perceber os enclaves que a Ordem do Templo, nunca por acaso, senhoriou.